UE congela acordo comercial com os EUA após declarações de Trump sobre a Groenlândia
A tensão diplomática entre a União Europeia e os Estados Unidos ganhou novos contornos nesta semana. O Parlamento Europeu decidiu suspender os trabalhos relacionados ao acordo comercial em negociação com Washington, após declarações reiteradas do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade de os EUA assumirem o controle da Groenlândia.
A Groenlândia é um território semiautônomo ligado à Dinamarca, que integra o bloco europeu. As falas de Trump foram interpretadas por parlamentares europeus como uma ameaça indireta à soberania de um Estado-membro da UE, o que levou à decisão política de paralisar temporariamente as negociações comerciais.
Suspensão confirmada
Segundo informações divulgadas à Reuters, um membro do Parlamento Europeu confirmou que os trabalhos técnicos e políticos sobre o acordo UE–EUA foram interrompidos como forma de pressão diplomática e sinalização política diante das declarações do presidente norte-americano.
Discurso em Davos
Durante participação no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Trump afirmou que não pretende usar força militar para alcançar seus objetivos em relação à Groenlândia.
“As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força”, declarou. Apesar disso, o presidente sustentou que nenhum outro país seria capaz de garantir plenamente a segurança do território dinamarquês, o que manteve o tom de tensão entre aliados históricos.
Apoio da França
A decisão do Parlamento Europeu recebeu apoio formal da França. Em discurso no Parlamento francês, o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, defendeu a paralisação do acordo como uma resposta política às ameaças tarifárias e às declarações consideradas provocativas feitas pelo governo norte-americano.
Impacto diplomático
Analistas avaliam que o congelamento do acordo comercial representa mais do que um gesto simbólico. A medida reforça a disposição da União Europeia em defender a integridade territorial de seus membros e pode ampliar o desgaste nas relações transatlânticas, especialmente em um momento de instabilidade geopolítica e disputas estratégicas no Ártico.
Por ora, não há prazo definido para a retomada das negociações entre Bruxelas e Washington, que dependerá da evolução do diálogo diplomático e do recuo — ou não — das declarações por parte da Casa Branca.
